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Túnel do Tempo: Passeio de balão é novidade no Brasil

Matéria publicada na revista Veja em 16 de setembro de 1998.

Você embarcaria numa viagem a 200 metros de altura sem saber a velocidade, quanto vai durar o percurso e onde vai parar? Passear de balão é isso: entrar numa cestinha que comporta apenas três pessoas, incluindo o piloto, e se deixar levar ao sabor do vento. Opção de lazer com uma pitada de aventura muito procurada no mundo inteiro, o vôo em balão já é um sucesso em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde passou a ser oferecido de maneira regular neste ano por agências especializadas. Até o início do ano que vem estará disponível também em Belo Horizonte e Porto Alegre. A saída é sempre de lugares próximos a cidades do interior de cada Estado. Animados com a moda que começa a pegar, os balonistas brasileiros estão construindo cestos com capacidade para até oito pessoas, de modo a acomodar mais gente e baratear o programa. Viajar de balão hoje ainda é caro: custa em média 200 reais por pessoa, com duração de uma hora a três horas, dependendo do vento e da temperatura. O local de pouso? Bem, o mais antigo meio de transporte aéreo continua indirigível. Ninguém embarca numa cidade do interior de São Paulo e vai parar no Triângulo das Bermudas, mas sempre que o balão decola é seguido por uma equipe de resgate, encarregada de apanhar os passageiros seja lá onde for o final do trajeto. 
Para evitar surpresas, os pilotos escolhem uma altitude em que o vento sopre na direção desejada. O vôo é permitido a pessoas de qualquer idade, até crianças, desde que acompanhadas dos pais. “Não há risco algum em viajar de balão”, diz Rui Kalousdian, balonista premiado em competições, pioneiro no país dos vôos turísticos e proprietário da empresa Balão No Ar, em São Paulo. “Se o tempo não estiver em perfeitas condições, adiamos o passeio.” A única recomendação de segurança é evitar o uso das roupas de náilon, que pegam fogo com facilidade. Para decolar com Rui no fim de semana, basta fazer reserva alguns dias antes. O encontro é marcado num ponto da Rodovia dos Bandeirantes, às 5 horas da manhã. “É importante partir ao nascer do sol, porque os ventos estão mais calmos, o que é ideal para uma viagem tranqüila, contemplativa”, explica o balonista, que cobra 180 reais para sobrevoar por uma hora e meia os campos dos municípios de Sumaré ou Piracicaba. Quando termina o passeio, a equipe de apoio que segue o balão em terra recolhe o equipamento e os passageiros. Ainda não existem vôos sobre grandes cidades, pela dificuldade do resgate. Se o turista está voando pela primeira vez, Rui abre uma garrafa de champanhe na volta e, já em terra, oferece um café da manhã para comemorar o batismo aéreo.
Casamento nos ares — Festejar combina com a atmosfera do programa. “Já levei gente que vinha de festas de madrugada e continuou brincando e tomando champanhe no balão”, conta Flamarion de Oliveira Barreto, da empresa de balonismo carioca Flat. Flamarion, que voa sobre a Universidade Rural do Rio de Janeiro, testemunhou vários pedidos de noivado a bordo. Em maio, participou nas alturas do casamento de um holandês com uma sul-africana. Ele cobra por um passeio de cerca de uma hora 250 reais por pessoa. “Esse mercado está crescendo”, diz ele. “Logo o balão será tão comum no Brasil quanto em cidades européias e americanas.” Quem também aposta nisso é o mineiro Lincoln Fernandez Freire, ex-engenheiro que largou o emprego para dar aulas de pilotagem e manejar balões-propaganda, com logotipos de empresas, em Belo Horizonte. 
Como seus colegas de ofício, Freire começou a pilotar em competições de balonismo. Já organizou passeios e está construindo balões maiores para montar uma agência de vôos turísticos a partir de 1999. Serão sobrevôos regulares na Serra da Moeda, entre Minas Gerais e Rio de Janeiro, combinados com pequenas excursões em terra. “Com mais gente a bordo o preço vai cair”, diz ele. “O balão exige manutenção complicada e usa gás propano, que é caro.” O novo filão se propaga para outras capitais. Em Porto Alegre, Neyton Reis Filho, proprietário de uma loja de artigos para montanhismo, já voa para fazer propaganda de empresas e pretende ampliar esse serviço para turistas de fim de semana. Por enquanto, ele agencia viagens para outros balonistas. O preço é bastante salgado: 300 reais por pessoa. Caso o turista se empolgue de fato com o esporte, pode fazer um curso de pilotagem. Custa em média 7.000 reais por dezesseis horas de vôo com um instrutor. Sem contar o balão: quem quiser ter um precisa desembolsar 40.000 reais. 
Se o objetivo for apenas conhecer a sensação de voar, há uma opção bem mais em conta na cidade de São Paulo. Desembolsando 10 reais, é possível apreciar o Parque do Ibirapuera, uma das regiões mais belas da capital, a bordo de um balão a 100 metros de altura. Não é uma aventura das mais radicais. O balão sobe e desce no mesmo lugar, preso por um cabo de aço. São apenas quinze minutos de emoção, na companhia de mais trinta pessoas que se espremem no mesmo cesto. Ainda assim, já dá para sentir aquele frio na barriga.
Foto: Rui Kalousdian

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