Mais uma vez, o BlogBalonismo apresenta a você uma entrevista com algum piloto do nosso Brasil.

Hoje, com a sugestão da minha amiga de Torres, Carla Horn, a entrevista é com o piloto gaúcho Fernando Hennig, o idealizador do maior Festival de Balonismo da América Latina, o Festival de Torres.

Confira abaixo a entrevista:

BlogBalonismo: A quanto tempo você pratica o balonismo?
Fernando: “Eu fiz meu primeiro vôo em 1987, na Expointer, em Esteio. A Fuji Film trouxe o balão dela do Japão, e escolheram Porto Alegre como a cidade onde ele voaria pela primeira vez.
E a nossa empresa que trabalhava com a Fuji patrocinou os primeiros vôos aqui. Primeiro levamos o pessoal das TVs, depois dos jornais e rádios. Depois no próximo vôo, que seria na Expointer, havia lugar para um passageiro, além do piloto.
E na reunião que houve na empresa, com o pessoal do marketing, eu disse que queria voar. E todos acharam ótimo porque nenhum deles se animava a voar.
O dia do vôo iniciou meio nublado, com vento. Eu já estava pensando em desistir mas resolvi encarar. A vontade de voar era muito grande.
Lá na Expointer o piloto ainda me perguntou se eu estava tranqüilo e eu respondi que tudo bem. Se ele que era o piloto achava que dava para voar então tudo bem.
O Vôo foi uma maravilha, apesar do pouso um pouco tumultuado numa plantação, por causa do vento.
Cada vez que o piloto perguntava se já dava para pousar eu dizia que não, que era para voar enquanto tivesse gas, afinal nós estávamos pagando.
E por acaso o piloto, um carioca sócio na época do Bruno Schwartz, era amigo de infância da minha cunhada.
E daí ficamos amigos e logo ele me convidou para ir ao Rio participar do Festival Pepsi-Ínega de Balonismo, na Universidade Rural de Itaguaí, RJ.
E depois participei do Primeiro campeonato Brasileiro, em Casa Branca, junto com a minha esposa, na equipe deste piloto. Depois fiz uns três vôos na Barra da Tijuca.
Daí eu consegui fechar umas promoções com balão aqui no sul e sempre voava junto, e já montava e desmonta o balão, decolava, pousava, fazia vôos cativos, mas sempre com o piloto junto.
E o balão ficou guardado na minha empresa pois haveria uma outra promoção no mês seguinte.
E foi daí que eu aproveitei e fiz meu primeiro vôo como piloto, sem avisar o pessoal do Rio, porque senão eles claro que não deixariam
E fiz um vôo tranqüilo aqui em Eldorado do Sul, na fazenda de uma amiga. E com isso o Bruno se viu obrigado a me dar a carteira de piloto, que é número 36.”

BlogBalonismo: Como surgiu a idéia de realizar um evento aqui em Torres?
Fernando: “No verão de 1989 eu fui visitar o Edgar Denardi e a sua esposa, Marisa, que eram meus clientes. E o Edgar comentou da dificuldade em se trazer gente para Torres fora da temporada. Daí eu sugeri para ele fazer um evento que não dependesse de mar nem de praia. E mostrei para ele as fotos que eu tinha tirado no festival de balonismo de Lavras, MG.
O Edgar adorou a idéia, ficou com as fotos e disse que consversaria com o pessoal da cidade.
E dias depois ele pediu para fazermos uma reunião para tratar do assunto. Esta primeira reunião foi no Lage de Pedra em Canela, já com a presença do Bruno Schwartz, que eu havia convidado para participar da organização.
Depois fizemos uma outra reunião em Torres, no restaurante da Praia da Guarita, com o prefeito e empresários da cidade,quando definimos os detalhes do festival, que a princípio era para acontecer junto com a Febanana, em outubro de 1989. Mas o seguinte já foi na Páscoa, e depois no feriado de Primeiro de Maio e até hoje se conserva nesta data.”

BlogBalonismo: Porque Torres?
Fernando: “Foi sorte e também mérito da cidade, que percebeu desde o início a importância do festival como atração turística.”

BlogBalonismo: Você participa de outros eventos, além do Festival?
Fernando: “No início eu participei de alguns brasileiros e alguns festivais, mas depois parei porque era muito difícil e caro para mim, já que eu não era um piloto profissional.”

BlogBalonismo: Já passou por apuros em algum vôo?
Fernando: “Sim, principalmente no início, quando achava que já sabia tudo. Um foi em Cascavel, Paraná. Eu estava pilotando o balão da Fuji e decolei muito rápido. Havia aquecido muito o balão antes que soltassem ele.
E na subida, com a velocidade mais o calor, o balão começou a abrir em cima, junto ao para quedas. Fui obrigado a manter o balão no ar praticamente com o maçarico ligado direto até conseguir passar uma rede de alta tensão. E daí desci. Foi um pouco forte mas valeu pelo aprendizado.
Outra vez foi aqui em Eldorado, quando decolei muito próximo a uma rede elétrica, e logo que o balão saiu do chão o vento me jogou para cima da rede. E a corda que me prendia na caminhonete estava muito longa e não me impediu de acertar, por sorte, apenas o poste. Mas o balão continuou subindo e não deu nem tempo de soltar o engate rápido, que acabou sendo arrebentado e o balão seguiu adiante. Mas deu tudo certo.

E um momento agradável foi quando eu fui ajudar o piloto Steve Fosset, que havia pousado em Aceguá – Bagé.”

BlogBalonismo: Qual a relação com o Bruno Schwartz, que organizou com você o primeiro festival?
Fernando: “Conheci o Bruno através do balonismo e sou muito amigo dele. E o Bruno, além de ser um baita piloto é um grande organizador de eventos. Ainda bem que eu o convidei para organizar o primeiro festival.”

BlogBalonismo: Quando está voando, qual é a sensação que sente?
Fernando: “Dá uma alegria muito grande. É uma sensação maravilhosa, de liberdade, de paz. O balão literalmente flutua no ar, é como estar boiando no ar.
Dá para subir, descer, falar com as pessoas em baixo. Uma sensação incrível de leveza.E dá para ficar conversando tranquilamente com quem está no balão enquanto a gente curte a paisagem. Que em Torres é linda.
O balão é a única aeronave mais leve do que o ar, por isso ele pode se manter no ar parado, se não tiver vento.”

BlogBalonismo:
Deixa uma mensagem para os leitores do blog.
Fernando: “Eu adoro voar de balão. Antes do primeiro vôo eu tinha curiosidade em saber como seria, estava um pouco apreensivo (assustado) mas depois que o balão saiu do chão todo o medo ficou para trás. E agradeço a sorte de ter podido voar a primeira vez a tanto tempo atrás.
Acho que quem não voou ainda deve insistir para voar, não
vai se arrepender. Fico feliz em ver que o balonismo já conseguiu juntar tantos interessados. Gosto de ver o prazer que as pessoas que voam a primeira vez comigo sentem.
Um grande abraço e parabéns pelo blog, está ótimo.”

Obrigado Fernando, que você sempre esteje acompanhado de ótimos ventos, e Torres sempre estará te esperando de braços abertos!!

Bons Ventos!!!

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