Por Maiara Raupp – Jornalista

Mesmo sabendo da dificuldade que é sobreviver do esporte, jovens torrenses transformaram seu sonho em realidade e fazem do balonismo sua profissão

Qual torrense nunca sonhou em ser piloto de balão ou voar em um? Com o Festival Internacional de Balonismo sendo realizado há 26 anos em Torres, é difícil não se envolver, não se deslumbrar e não ficar contando os dias para ver novamente aquele colorido no céu. Foi o que aconteceu com o jovem Murilo Hoffmann, que desde criança acompanhava os balões sobrevoarem a cidade. Essa paixão pelo esporte fez Murilo transformar em realidade o que antes não passava de uma simples fantasia de criança: se tornar piloto de balão.
“Minha mãe me acordava cedo para ver os balões da janela de casa. Eu ficava louco quando os balões apareciam no céu. Até que cresci e comecei a correr atrás do meu objetivo. Consegui entrar em uma equipe de resgate francesa. A partir daí fui participando cada vez mais até que comecei a trabalhar com um balonista de Torres, o único da época. Fui adquirindo experiência até que me formei piloto de balão em 2011. Foi a realização de um sonho de criança”, lembrou Murilo, agradecendo a todos que o apoiaram. “Família e amigos, muito obrigado”. 
Além de Murilo, outros dois torrenses também foram em busca de seus objetivos. Luciano Gross e Ricardo Lima idealizaram, planejaram e hoje concretizaram o sonho de ter uma empresa voltada para o balonismo. “O amor pelo balonismo vem de anos. Desde o dia que vi o primeiro balão no céu de Torres. Sempre achei muito bonito, mas nunca havia me passado pela cabeça trabalhar na área, até que Luciano, que já era piloto, me convidou para comprarmos um balão e montarmos uma empresa. Foi aí que nasceu, em 2012, a Airsul Publicidade e Balonismo. A junção da experiência de Luciano com a minha paixão. A química da empresa é simples, enquanto o Luciano pilota o balão, eu cuido dos negócios”, afirmou Ricardo Lima. 
A cada ano que passa cresce o número de equipes de balonismo que se formam em Torres e que começam a participar de competições pelo Brasil e pelo mundo, divulgando o nome da cidade. Já são seis torrenses que possuem a autorização para pilotar balões de ar quente, sendo que mais um deve concluir sua formação ainda este ano. 
Dificuldades com o esporte

Além de o tempo ter que colaborar para a prática do balonismo, os recursos financeiros a serem desembolsados são muito altos, já que para inflar os balões é necessário utilizar gás propano. Desta forma, para manter o esporte e sobreviver dele não é tarefa fácil. Na maioria dos casos é preciso conseguir bons patrocinadores. A Airsul hoje se tornou uma das principais empresas de publicidade em balão de ar quente do Rio Grande do Sul. Tem parceiros como a Claro, a Net, Multisom, Certel, Obino, Berlanda, Sesc, entre outras empresas. 
“Hoje viver do balonismo é bem complicado. Temos que estar sempre buscando empresas que queiram divulgar sua marca no balão em eventos. Parceria e patrocinadores nesse caso é fundamental. No Rio Grande do Sul tem poucos eventos desse porte, e isso dificulta um pouco nosso trabalho. Mas já levamos nosso balão para outros estados como Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal”, contou Ricardo, destacando ainda que hoje para  se conseguir patrocinadores é preciso vislumbrar uma vantagem para eles. “Procuramos feiras e eventos onde possuem uma grande circulação de pessoas. Negociamos a entrada do balão nesses eventos e depois buscamos empresas interessadas na exposição de sua marca. Não é fácil, mas as empresas que fazem uma vez esse tipo de ação voltam a fazer”, disse ele. 
Marketing com balão ganha espaço

Segundo Murilo Hoffmann, o marketing com balão tem ganhado espaço no Brasil. “A propaganda no balão custa um pouco caro. Não são muitas empresas que acreditam nesse meio de divulgação da marca. Mas está crescendo bastante a procura no país”, afirmou ele. 
Para Ricardo Lima, a publicidade com balão é bem impactante, principalmente quando é realizada em cidades que nunca viram um balão de perto. “Jornais sempre destacam a presença do balão. É muito bacana enxergarmos a admiração das pessoas ao verem nosso trabalho e com certeza a marca que está estampada no balão só tem a ganhar”, garantiu Ricardo. 
Balonismo e seus segmentos

Para tentar se manter fazendo o que gosta, Murilo, além de pilotar, desenvolve projetos em 3D. “Eu faço projetos de balão em 3D para outros pilotos e empresas. Balões com formatos diferenciados como de casa, bichos, palhaço, entre outros. Estes balões vão voar em Albuquerque (USA), maior evento de balonismo do mundo. Ano que vem quero voar com um projeto próprio, um balão em formato de pato”, assegurou Murilo, acrescentando ainda que a Omega Balonismo, empresa que fundou, faz marketing com balão, realiza voos turísticos, produz infláveis, portais, blimps e tendas para eventos.
Parcerias

A cooperação entre as equipes de balonismo para o fortalecimento do esporte é essencial. E isso a Omega Balonismo e a Airsul sabem fazer direitinho. A última parceria realizada entre as duas empresas resultou na vitória do piloto Murilo no 5° Festival de Balonismo de Santa Maria. Foi o primeiro título conquistado pelo jovem, que estava sem patrocínio. “Acho importante nos ajudarmos, pois é um meio que tem espaço para todos”, garantiu Ricardo. “Estamos tentando levar nosso esporte para todas as partes do nosso estado. Aos poucos vamos conseguindo”, completou Murilo. 
De acordo com Ricardo, está sendo realizado um processo de reformulação na Federação Gaúcha de Balonismo, e acredita-se que em 2015 seja promovido um campeonato gaúcho desse esporte. “A cada ano temos mais pilotos se formando no nosso estado e isso é bom demais para o esporte”, falou ele. 

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