Quem pensa que o Balonismo é uma aventura realizada apenas nos caminhos que levam aos céus poderá se surpreender com o que reserva o chão firme da terra. É nesse território sólido em que se pisa que a emocionante viagem do balonismo tem seu início e também o final.

Bem antes do raiar do sol, quando as luzes da cidade ainda estão dormindo e as estrelas tomam conta da noite, é que alguns aventureiros, loucos por balão, dão a partida em potentes picapes, trazendo a reboque centenas de quilos de uma carga preciosa, que antes que a luz do sol dê o ar de sua graça zarpará em direção aos ares.

Num aeroclube, num campo aberto, ou em alguma área livre que garanta segurança e condições, essa equipe de madrugadeiros inicia uma coreografia de força e união para desembarcar os compartimentos dessa incrível aeronave chamada Balão de Ar Quente.

Cesto de vime, maçarico, ventilador gigante, cilindros de gás propano, cabos de aço, envelope de nylon (a gota colorida que constitui a parte flutuante do balão), rádios, GPS, mapas e outros equipamentos e acessórios, desembarcam pelas mãos desses devotados do balonismo em movimentos sincronizados e velozes e que, em poucos minutos, vão se transformando num balão como num passe de mágica que estará pronto para partir em direção aos céus, após o briefing e autorização do diretor de provas.

Mais alguns minutos, ventilador a toda velocidade, maçaricos cuspindo fogo e a grande gota inflada de ar quente começa a erguer-se e a se descolar do chão. Outros poucos minutos depois, piloto e equipe procedem a uma checagem, tão minuciosa quanto ágil, de todos os pontos críticos da já então aeronave que está pronta para decolar.

Piloto ao cesto, levantar âncora! Centenas de quilos de equipamentos passam a pesar tanto quando um colorido pensamento, menos que nada – mais leve que o ar, o balão flutua. Enquanto o balão ganha altura, a leste outra figura redonda desperta para somar beleza a esta aventura, sua majestade, o Sol.

Os raios providencialmente mornos que começam a aquecer o início do dia transformam o balão que veio fazer a vez das estrelas em uma silhueta que projeta na terra a sombra que o sol lhe dará a cada instante em que estiver cortando o céu.

Na terra, aqueles aventureiros já a seus postos: navegador, charlie papa, motorista e algum outro destemido voluntário, já deram a largada por ruas e estradas a fora, seguindo a sua nave mãe numa incrível e incessante busca.

As informações em tempo real se mostram nas telas do computador de bordo da picape, traçando a trajetória do balão e de seu piloto, minuto a minuto. Altitude, velocidade, direção e a comunicação via rádio fazem rotas aérea e terrestre entrarem numa sincronia coreográfica perfeita, pelo tempo que o vôo durar.

Durante a competição, os balões cumprem tarefas determinadas pelo diretor de provas e partem para atingir os alvos estabelecidos. Na terra, a picape permanece no percurso que permite dar orientação técnica e apoio ao piloto e ao seu balão. Cumprida a prova, o piloto inicia o procedimento de pouso e sob a orientação de seus fiéis escudeiros em terra, juntos se dirigem para o melhor ponto possível para que a aeronave possa aterrissar com segurança e elegância. Não raro, o balão mal toca o solo e a equipe de apoio já está de braços esticados a segurar o cesto e estender as mãos para que o piloto ponha seus pés na terra. Quando o balão aterrissa antes da equipe, ao piloto cabe esperar, porque sabe que o balonismo é como a vida: nem sempre os ventos nos levam para onde desejamos. Maçaricos apagados e o envelope se esvaziando como uma delicada flor que fecha suas pétalas ao pôr-do-sol, os cabos vão sendo desengatados, o balão dobrado e todo o equipamento, numa ordem lógica, vai sendo içado a bordo da picape.

Missão cumprida, todos retornam pelo caminho sólido ao ponto de partida para esperar as outras equipes que não tardam a chegar. Cumpridos os procedimentos de praxe da competição, como a entrega dos registros de voo ou o que for de procedimento e das regras aos oficiais que respondem pela avaliação das tarefas, piloto e equipe partem para os afazeres pontuais e sociais que decorrem da competição, até que chegue novamente o briefing para o próximo voo e a realização das tarefas.

 A cobertura do 30º Festival Internacional de Balonismo de Torres pelo Blog Balonismo tem o patrocínio da Nossa Casa Imóveis, RVB Balões e Infláveis Promocionais, Planta Consultoria Ambiental, Construtora Monte Bello, Omega Balonismo, Rede Furnas Postos de Combustíveis, Aeromagic Balonismo e Infláveis, Art Malhas, RMS Telecom e Sosseg Alarmes.

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